O Miguel, era o aluno que sempre me parecia o mais atento. Os seus olhos expressivos, denunciavam algo que a principio não conseguia entender. No final de cada aula era sempre ele o último a sair, acompanhando-me até à sala de professores. Pelo caminho falava-me de pormenores que se prendiam com as matérias que iam sendo abordadas. Isto repetiu-se durante todo o ano lectivo. Eu notava que não era por acaso que isso vinha a acontecer. Só mais tarde consegui entender exactamente o que escondia aquele excesso de interesse em se aproximar de mim, mesmo quando nos cruzávamos nos corredores da escola.
Não era um aluno excepcionalmente dotado para as artes visuais, mas a atenção que demonstrava e o empenho que sempre revelava nos trabalhos que lhe propus, proporcionaram-lhe boas classificações no final de cada período escolar.
Depois da última aula do ano, o Miguel disse-me que sentia pena que o ano lectivo tivesse terminado e que gostaria muito de falar comigo. Respondi-lhe que dissesse então o que queria. Depois de hesitar, disse-me que gostaria de o fazer mas fora da escola.
Acabei por aceder à proposta. Fomos para um café. Como o Miguel ia divagando entendi perguntar-lhe o que me queria dizer.
De uma forma tímida, disse-me que tinha perdido o pai havia alguns anos, que a mãe voltara a casar-se, mas que se relacionava de uma forma difícil com o padrasto. Evitava falar em casa sobre o que quer que fosse. Como gostava bastante de mim, queria “confessar-me e pedir-me ajuda numa coisa, desde que eu prometesse que não falaria disso a ninguém”. Comprometi-me a assumir a promessa. O Miguel de uma forma rápida disse: - Professor, sou gay.
Ficámos por instantes em silêncio. Perante a sua revelação, disse-lhe que não havia nenhum mal nisso, mas que não entendia porque me tinha feito essa confissão.
Respondeu-me então que nunca tendo falado disso a ninguém e que sentia necessidade de ter uma pessoa mais “madura” que o pudesse ajudar a ultrapassar a sua homossexualidade, já que não confiava no padrasto e tinha muito medo contar à mãe por não saber como esta reagiria. Sabia que só num médico poderia encontrar a solução e era nisso que esperava da minha ajuda.
Fi-lo entender que a homossexualidade não é uma questão patológica. Logo, não existiria nenhum médico que o “curasse”. Não devia sentir-se diminuído, mas compreender a sua diferença. Nem mesmo um psicólogo evitaria que continuasse ou não a ser homossexual, quanto muito, poderia ajudá-lo, levando-o a aceitar e a conviver com essa diferença. Mas a melhor ajuda, seria ganhar coragem e contar à sua mãe, quem sabe se não encontraria nela uma aliada? As mães são sempre bem mais receptivas face a estas questões
Por mim, a partir daquele momento, estaria disponível para o escutar sempre que necessitasse e dar-lhe a minha ajuda. O que veio a acontecer muitas vezes.
Hoje, o Miguel faz parte em Portugal, de um grupo muito activo na defesa da causa homossexual!
Não era um aluno excepcionalmente dotado para as artes visuais, mas a atenção que demonstrava e o empenho que sempre revelava nos trabalhos que lhe propus, proporcionaram-lhe boas classificações no final de cada período escolar.

Depois da última aula do ano, o Miguel disse-me que sentia pena que o ano lectivo tivesse terminado e que gostaria muito de falar comigo. Respondi-lhe que dissesse então o que queria. Depois de hesitar, disse-me que gostaria de o fazer mas fora da escola.
Acabei por aceder à proposta. Fomos para um café. Como o Miguel ia divagando entendi perguntar-lhe o que me queria dizer.
De uma forma tímida, disse-me que tinha perdido o pai havia alguns anos, que a mãe voltara a casar-se, mas que se relacionava de uma forma difícil com o padrasto. Evitava falar em casa sobre o que quer que fosse. Como gostava bastante de mim, queria “confessar-me e pedir-me ajuda numa coisa, desde que eu prometesse que não falaria disso a ninguém”. Comprometi-me a assumir a promessa. O Miguel de uma forma rápida disse: - Professor, sou gay.
Ficámos por instantes em silêncio. Perante a sua revelação, disse-lhe que não havia nenhum mal nisso, mas que não entendia porque me tinha feito essa confissão.
Respondeu-me então que nunca tendo falado disso a ninguém e que sentia necessidade de ter uma pessoa mais “madura” que o pudesse ajudar a ultrapassar a sua homossexualidade, já que não confiava no padrasto e tinha muito medo contar à mãe por não saber como esta reagiria. Sabia que só num médico poderia encontrar a solução e era nisso que esperava da minha ajuda.
Fi-lo entender que a homossexualidade não é uma questão patológica. Logo, não existiria nenhum médico que o “curasse”. Não devia sentir-se diminuído, mas compreender a sua diferença. Nem mesmo um psicólogo evitaria que continuasse ou não a ser homossexual, quanto muito, poderia ajudá-lo, levando-o a aceitar e a conviver com essa diferença. Mas a melhor ajuda, seria ganhar coragem e contar à sua mãe, quem sabe se não encontraria nela uma aliada? As mães são sempre bem mais receptivas face a estas questões
Por mim, a partir daquele momento, estaria disponível para o escutar sempre que necessitasse e dar-lhe a minha ajuda. O que veio a acontecer muitas vezes.
Hoje, o Miguel faz parte em Portugal, de um grupo muito activo na defesa da causa homossexual!
(Enviado por um leitor)
