A minha ida para a tropa despoletou-me algo que até então estava pouco consciencializado em mim, não obstante sempre me ter despertado interesse observar os corpos masculinos e as suas formas musculares.
Namorava quando inicie
i o meu serviço militar e durante dois anos, a vida no quartel, fazia-me lidar com militares do quadro, gente já, casada, mais velha do que eu e do que os restantes camaradas de especialidade. A formatura diária na parada, colocava diante de mim um oficial, que pela estatura, o seu cabelo grisalho e a sua postura corporal hirta, exercia sobre mim uma atracção, que não me deixava tirar os olhos dele.
Homem habituado a lidar com homens, a insistência do meu olhar não lhe passou despercebida e pouco a pouco fui-me apercebendo que, sempre que nos cruzávamos, também os seus olhos iam ao encontro dos meus, esboçando sorrisos que me deixavam perturbado, porque pareciam adivinhar o que em silêncio sentia por ele.
Entretanto, a relação com a minha namorada ia-se degradando.
À medida que o tempo passava, esse oficial foi cada vez mais se aproximando da minha pessoa, com pequenas conversas, interrogando-me onde residia, se namorava, se saia com amigos, enfim, familiarizando-se pouco a pouco com a minha pessoa.
Um fim-de-semana, depois de ter saído do Quartel, não sei se ocasionalmente, ele aproximou-se de carro, dizendo-me se eu queria boleia, já que ia para a mesma zona. Aceitei o convite prontamente, não obstante me sentir de alguma forma inibido.
Durante o trajecto o tema de conversa foi sobre questões que só mais tarde entenderia. Que eu era um “tipo porreiro”, que eu pertencia a um pelotão excepcional e que gostava muito de mim porque lhe fazia lembrar um grande amigo que tinha morrido em combate.
Voltou a dar-me boleia para regressar à Unidade mas o tema de conversa andou de novo em torno do que antes já tinha abordado.
Depois deste episódio, nas semanas seguintes, quando me cruzava com ele no quartel, sentia-me constrangido, não obstante a atracção que continuava a sentir por ele.
Algum tempo depois, num fim-de-semana, disse-me que precisava que o ajudasse numas coisas que tinha que fazer em casa dele e que contava comigo. Ao chegarmos, e em casa, colocou-me as mãos sobre os meus ombros e deu-me um beijo. Fiquei estático! Não sabia o que dizer. Disse-me que se sentia atraído por mim e que já não era capaz de o esconder.
Um misto de confusão na minha cabeça! De pânico!
Por um lado, era algo inesperado que eu não queria acreditar que estivesse a acontecer, por outro, era afinal exactamente aquilo que eu gostava que acontecesse, quando antes o observava na parada.
Se antes eu já me sentia constrangido pelo episódio que tinha vivido uma semana antes, mais constrangido fiquei depois de estar nos seus braços e ouvi-lo dizer que gostava de mim.
Apercebendo-se do embaraço em que me colocara, tentou evitar-me durante algum tempo. Até que me abordou no café onde habitualmente nos encontrávamos para me dar boleia e me pediu desculpa pelo sucedido anteriormente. Que eu não entendesse o que se tinha passado de outra forma senão o de ter em mim a imagem do tal amigo de quem teria gostado muito.
Como entendia que tudo já estava esclarecido, voltou a convidar-me num fim-de-semana, para um almoço em família em sua casa.
No fim do almoço, como a sua mulher se teve de ausentar por razões profissionais urgentes, voltamos a ficar sós!
Perguntou-me então se o que se tinha passado entre nós teria mexido comigo, já que sentia uma certa indiferença da minha parte. Fiquem em silêncio e com algum embaraço.
Olhou-me nos olhos, agarrou-me e voltou a beijar-me! Beijou-me. Beijámo-nos ardentemente, enquanto um sofá nos serviu de companhia.
A primeira vez que fiz amor com outro homem, acabara de acontecer.
E aconteceu com ele, durante mais alguns anos!
South Crow
Namorava quando inicie
i o meu serviço militar e durante dois anos, a vida no quartel, fazia-me lidar com militares do quadro, gente já, casada, mais velha do que eu e do que os restantes camaradas de especialidade. A formatura diária na parada, colocava diante de mim um oficial, que pela estatura, o seu cabelo grisalho e a sua postura corporal hirta, exercia sobre mim uma atracção, que não me deixava tirar os olhos dele.Homem habituado a lidar com homens, a insistência do meu olhar não lhe passou despercebida e pouco a pouco fui-me apercebendo que, sempre que nos cruzávamos, também os seus olhos iam ao encontro dos meus, esboçando sorrisos que me deixavam perturbado, porque pareciam adivinhar o que em silêncio sentia por ele.
Entretanto, a relação com a minha namorada ia-se degradando.
À medida que o tempo passava, esse oficial foi cada vez mais se aproximando da minha pessoa, com pequenas conversas, interrogando-me onde residia, se namorava, se saia com amigos, enfim, familiarizando-se pouco a pouco com a minha pessoa.
Um fim-de-semana, depois de ter saído do Quartel, não sei se ocasionalmente, ele aproximou-se de carro, dizendo-me se eu queria boleia, já que ia para a mesma zona. Aceitei o convite prontamente, não obstante me sentir de alguma forma inibido.
Durante o trajecto o tema de conversa foi sobre questões que só mais tarde entenderia. Que eu era um “tipo porreiro”, que eu pertencia a um pelotão excepcional e que gostava muito de mim porque lhe fazia lembrar um grande amigo que tinha morrido em combate.
Voltou a dar-me boleia para regressar à Unidade mas o tema de conversa andou de novo em torno do que antes já tinha abordado.
Depois deste episódio, nas semanas seguintes, quando me cruzava com ele no quartel, sentia-me constrangido, não obstante a atracção que continuava a sentir por ele.
Algum tempo depois, num fim-de-semana, disse-me que precisava que o ajudasse numas coisas que tinha que fazer em casa dele e que contava comigo. Ao chegarmos, e em casa, colocou-me as mãos sobre os meus ombros e deu-me um beijo. Fiquei estático! Não sabia o que dizer. Disse-me que se sentia atraído por mim e que já não era capaz de o esconder.
Um misto de confusão na minha cabeça! De pânico!
Por um lado, era algo inesperado que eu não queria acreditar que estivesse a acontecer, por outro, era afinal exactamente aquilo que eu gostava que acontecesse, quando antes o observava na parada.
Se antes eu já me sentia constrangido pelo episódio que tinha vivido uma semana antes, mais constrangido fiquei depois de estar nos seus braços e ouvi-lo dizer que gostava de mim.
Apercebendo-se do embaraço em que me colocara, tentou evitar-me durante algum tempo. Até que me abordou no café onde habitualmente nos encontrávamos para me dar boleia e me pediu desculpa pelo sucedido anteriormente. Que eu não entendesse o que se tinha passado de outra forma senão o de ter em mim a imagem do tal amigo de quem teria gostado muito.
Como entendia que tudo já estava esclarecido, voltou a convidar-me num fim-de-semana, para um almoço em família em sua casa.
No fim do almoço, como a sua mulher se teve de ausentar por razões profissionais urgentes, voltamos a ficar sós!
Perguntou-me então se o que se tinha passado entre nós teria mexido comigo, já que sentia uma certa indiferença da minha parte. Fiquem em silêncio e com algum embaraço.
Olhou-me nos olhos, agarrou-me e voltou a beijar-me! Beijou-me. Beijámo-nos ardentemente, enquanto um sofá nos serviu de companhia.
A primeira vez que fiz amor com outro homem, acabara de acontecer.
E aconteceu com ele, durante mais alguns anos!
South Crow

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