Correndo de um lado para outro, saltando, rindo, gritando, aqueles dois garotos não paravam quietos por instantes. O pai, homem de trinta e poucos, percorria com o olhar todos os movimentos que faziam.
O fim de tarde, estava excelente no jardim e ajudava ao descanso merecido depois de um dia de trabalho.
De quando em quando, as crianças passavam diante de mim, corriam em redor do banco em que eu me encontrava, num divertido jogo de toca-e-foge. Isso, fazia-me levantar os olhos do livro que estava a ler, acabando por cruzar o meu
olhar com aquele homem de aspecto másculo, que estava sentado no banco em frente. A princípio, tudo parecia natural. Mas, à medida que se repetiam os olhares, comecei a dar-me conta que afinal aquele pai, insistia em me retribuir o mesmo gesto.
O interesse pela leitura ficou para segundo plano. Passou-me a despertar curiosidade aquele peito peludo que a camisa entreaberta, emoldurada pela gravata desleixada, deixava ver.
Nestas coisas, nada acontece por acaso. Há sempre algo, um sentido extra, que nos leva a entender que a reciprocidade tem sempre uma justificação.
No esboçar dos sorrisos que ambos trocávamos, estava afinal o convite para que eu acabasse por me decidir a mudar de banco e ir sentar-me a seu lado. Ao fazê-lo, e depois de um olá inicial, aproximou-se a filha e fez a pergunta mais embaraçosa que naquele momento podia ter feito: - Pai, quem é este senhor?
Depois de me ter olhado nos olhos respondeu, titubeante: - É um antigo colega do ginásio.
Satisfeita com a resposta, própria da ingenuidade da idade, voltou para a brincadeira e deixou-nos sós!
Apresentámo-nos com um cumprimento.
As nossas pernas tocaram-se fugidia mas intencionalmente. Agarrei-lhe, discretamente, na mão que estava apoiada sobre o banco. Depois, confidenciou-me que vinha para ali muitas vezes, ao fim da tarde, porque a sua mulher era médica e estava grande parte do dia ocupada entre o hospital onde exercia actividade e os trabalhos de doutoramento que estava a concluir, cabendo-lhe a ele, acompanhar mais assiduamente os “miúdos”. Mas que se sentia farto!
Se pudesse voltar atrás, teria dado um rumo diferente à sua vida, já que não se sentia realizado nem profissional nem pessoalmente, e que sob o ponto de vista sexual, tinha as suas incursões no mundo homossexual, frequentando uma sauna, sempre que podia dar uma escapadela.
Não quis ter nenhuma atitude inquisitorial e deixei-o livre para partilhar, em jeito de desabafo, o que entendesse.
Um toque de telemóvel, interrompeu a confissão!
Chamou os garotos e disse-lhes que tinham de ir embora. Ainda lhe perguntei se não queria ficar com o meu contacto telefónico ao que acedeu.
Fiquei nos dias, nas semanas seguintes, à espera que o meu telefone tocasse e do outro lado estivesse a voz do Henrique (nome fictício), o que nunca aconteceu.
Regressei várias vezes àquele jardim ao fim da tarde, na expectativa de o ver e poder estar de novo com ele e, quem sabe, realizarmos a dois, os seus desejos mais íntimos.
Nunca mais o voltei a encontrar!
O fim de tarde, estava excelente no jardim e ajudava ao descanso merecido depois de um dia de trabalho.
De quando em quando, as crianças passavam diante de mim, corriam em redor do banco em que eu me encontrava, num divertido jogo de toca-e-foge. Isso, fazia-me levantar os olhos do livro que estava a ler, acabando por cruzar o meu
olhar com aquele homem de aspecto másculo, que estava sentado no banco em frente. A princípio, tudo parecia natural. Mas, à medida que se repetiam os olhares, comecei a dar-me conta que afinal aquele pai, insistia em me retribuir o mesmo gesto.O interesse pela leitura ficou para segundo plano. Passou-me a despertar curiosidade aquele peito peludo que a camisa entreaberta, emoldurada pela gravata desleixada, deixava ver.
Nestas coisas, nada acontece por acaso. Há sempre algo, um sentido extra, que nos leva a entender que a reciprocidade tem sempre uma justificação.
No esboçar dos sorrisos que ambos trocávamos, estava afinal o convite para que eu acabasse por me decidir a mudar de banco e ir sentar-me a seu lado. Ao fazê-lo, e depois de um olá inicial, aproximou-se a filha e fez a pergunta mais embaraçosa que naquele momento podia ter feito: - Pai, quem é este senhor?
Depois de me ter olhado nos olhos respondeu, titubeante: - É um antigo colega do ginásio.
Satisfeita com a resposta, própria da ingenuidade da idade, voltou para a brincadeira e deixou-nos sós!
Apresentámo-nos com um cumprimento.
As nossas pernas tocaram-se fugidia mas intencionalmente. Agarrei-lhe, discretamente, na mão que estava apoiada sobre o banco. Depois, confidenciou-me que vinha para ali muitas vezes, ao fim da tarde, porque a sua mulher era médica e estava grande parte do dia ocupada entre o hospital onde exercia actividade e os trabalhos de doutoramento que estava a concluir, cabendo-lhe a ele, acompanhar mais assiduamente os “miúdos”. Mas que se sentia farto!
Se pudesse voltar atrás, teria dado um rumo diferente à sua vida, já que não se sentia realizado nem profissional nem pessoalmente, e que sob o ponto de vista sexual, tinha as suas incursões no mundo homossexual, frequentando uma sauna, sempre que podia dar uma escapadela.
Não quis ter nenhuma atitude inquisitorial e deixei-o livre para partilhar, em jeito de desabafo, o que entendesse.
Um toque de telemóvel, interrompeu a confissão!
Chamou os garotos e disse-lhes que tinham de ir embora. Ainda lhe perguntei se não queria ficar com o meu contacto telefónico ao que acedeu.
Fiquei nos dias, nas semanas seguintes, à espera que o meu telefone tocasse e do outro lado estivesse a voz do Henrique (nome fictício), o que nunca aconteceu.
Regressei várias vezes àquele jardim ao fim da tarde, na expectativa de o ver e poder estar de novo com ele e, quem sabe, realizarmos a dois, os seus desejos mais íntimos.
Nunca mais o voltei a encontrar!
(Luso)

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