Tinha dezassete anos. O colégio onde andava era frequentado por rapazes e raparigas de uma classe social com abastado poder de compra. Não tinha muitos amigos. Cada um, contava as suas aventuras com colegas nossas. Estou certo que a maior parte das histórias eram mais fruto da imaginação do que da realidade. Isto por todos se queriam fazer passar por franco-atiradores de pontaria certeira, cujo alvo eram sempre as miúdas que mais exibia
m os seus dotes corporais e de sedução.
Eu preferia conviver com dois colegas meus, mais reservados e que penso, nunca o confirmei, terem as mesmas preferências sexuais que eu e ainda, com a Mariana, uma colega que se distinguia das restantes por não se preocupar muito com o visual. Também é verdade que a natureza não a dotou de grande beleza.
Era com ela que partilhava algumas das minhas preocupações familiares e que se resumiam em ter um pai que ditava de uma forma autoritária as regras da casa, uma mãe que perante ele não tinha opinião própria e um irmão de vinte e dois anos que continuando a viver lá em casa, namorava e passava a maior parte do tempo com namorada e que era o orgulho do meu pai, pelo número de parceiras que com frequência ia apresentando à família.
Numa das minhas saídas de sábado à noite com a Mariana, fomos, como habitualmente, para o Bairro Alto. Acabávamos inevitavelmente no Frágil. Depois de uns copos e enquanto dançava, comecei a reparar num rapaz de corpo musculado na pista. Também lhe despertei interesse o que levava a não retirar o olhar de mim. Piscou-me o olho e fez um gesto com a cabeça, convidando-me a segui-lo. Entrou nos lavabos. Segui-o e quando entrei, olhou para mim, agarrou-me nos ombros, puxou-me para ele e beijou-me ardentemente. O meu primeiro beijo num homem.
Quando ambos saímos, fomos ao encontro da Mariana e apresentei-o como namorado. Ela olhou-me e sorrindo disse: - Eu já calculava. Sempre pensei que eras gay! E abraçou-me e disse-me que continuava a ser minha amiga e que continuava a querer-me muito.
A partir dessa noite já nada foi igual para mim. As idas a minha casa, os telefonemas constantes do Miguel, as frequentes vezes em que me ia buscar ao colégio, começaram a despertar a curiosidade dos meus pais. Quando me comecei a dar conta disso, ao atender o telemóvel, afastava-me, mas sentia que eles apuravam ainda mais os sentidos.
No dia seguinte ao meu aniversário, sem querer, deixei no meu quarto no bolso dos jeans um pequeno pedaço da toalha de papel da mesa do restaurante onde havíamos jantado a dois e onde ele me escreveu palavras que nunca tinha tido de ninguém. Nada de mal se não estivesse assinado.
A minha mãe descobriu aquela minha primeira declaração de amor. Só que enquanto a lia o meu pai entrou no quarto e perguntou o que estava a ler. Ela ainda tentou disfarçar mas perante a presença dele e o seu habitual não conseguiu deixar de lhe passar a missiva para a mão. Acabara de ser descoberto o meu segredo!
Ao chegar a casa tinha os meus pais sentados na sala. Entrei e ele disparou irado: - Olha lá rapaz, afinal quem é esse Miguel? O que é que ele te fez? Que volta te deu à cabeça?
Fiquei petrificado!
Uns segundos depois, respondi de forma rápida: - É o meu namorado!
-Tu és paneleiro? Levantando-me a mão em jeito de ameaça. Acabara de deixar cair o habitual polimento que dizia ter adquirido pela educação que lhe foi dada pelos pais.
-Não sou nenhum criminoso. E ficas a saber que não mudarei nem um centímetro da pessoa que amo. Respondi-lhe virando-lhe as costas.
Irado o meu pai, disse-me em jeito ameaça: - Ou deixas de andar com esse gajo ou sais desta casa.
Dirigi-me ao meu quarto, preparei o que gostaria de levar comigo e no final da manhã seguinte, depois deles terem ido trabalhar, saí de casa e nunca mais lá voltei.
Hoje, oito anos depois, continuo a viver como o Miguel, a única pessoa que continuo a amar.
Ah! E que substituiu os meus pais, custeando o curso universitário que concluí.
m os seus dotes corporais e de sedução.Eu preferia conviver com dois colegas meus, mais reservados e que penso, nunca o confirmei, terem as mesmas preferências sexuais que eu e ainda, com a Mariana, uma colega que se distinguia das restantes por não se preocupar muito com o visual. Também é verdade que a natureza não a dotou de grande beleza.
Era com ela que partilhava algumas das minhas preocupações familiares e que se resumiam em ter um pai que ditava de uma forma autoritária as regras da casa, uma mãe que perante ele não tinha opinião própria e um irmão de vinte e dois anos que continuando a viver lá em casa, namorava e passava a maior parte do tempo com namorada e que era o orgulho do meu pai, pelo número de parceiras que com frequência ia apresentando à família.
Numa das minhas saídas de sábado à noite com a Mariana, fomos, como habitualmente, para o Bairro Alto. Acabávamos inevitavelmente no Frágil. Depois de uns copos e enquanto dançava, comecei a reparar num rapaz de corpo musculado na pista. Também lhe despertei interesse o que levava a não retirar o olhar de mim. Piscou-me o olho e fez um gesto com a cabeça, convidando-me a segui-lo. Entrou nos lavabos. Segui-o e quando entrei, olhou para mim, agarrou-me nos ombros, puxou-me para ele e beijou-me ardentemente. O meu primeiro beijo num homem.
Quando ambos saímos, fomos ao encontro da Mariana e apresentei-o como namorado. Ela olhou-me e sorrindo disse: - Eu já calculava. Sempre pensei que eras gay! E abraçou-me e disse-me que continuava a ser minha amiga e que continuava a querer-me muito.
A partir dessa noite já nada foi igual para mim. As idas a minha casa, os telefonemas constantes do Miguel, as frequentes vezes em que me ia buscar ao colégio, começaram a despertar a curiosidade dos meus pais. Quando me comecei a dar conta disso, ao atender o telemóvel, afastava-me, mas sentia que eles apuravam ainda mais os sentidos.
No dia seguinte ao meu aniversário, sem querer, deixei no meu quarto no bolso dos jeans um pequeno pedaço da toalha de papel da mesa do restaurante onde havíamos jantado a dois e onde ele me escreveu palavras que nunca tinha tido de ninguém. Nada de mal se não estivesse assinado.
A minha mãe descobriu aquela minha primeira declaração de amor. Só que enquanto a lia o meu pai entrou no quarto e perguntou o que estava a ler. Ela ainda tentou disfarçar mas perante a presença dele e o seu habitual não conseguiu deixar de lhe passar a missiva para a mão. Acabara de ser descoberto o meu segredo!
Ao chegar a casa tinha os meus pais sentados na sala. Entrei e ele disparou irado: - Olha lá rapaz, afinal quem é esse Miguel? O que é que ele te fez? Que volta te deu à cabeça?
Fiquei petrificado!
Uns segundos depois, respondi de forma rápida: - É o meu namorado!
-Tu és paneleiro? Levantando-me a mão em jeito de ameaça. Acabara de deixar cair o habitual polimento que dizia ter adquirido pela educação que lhe foi dada pelos pais.
-Não sou nenhum criminoso. E ficas a saber que não mudarei nem um centímetro da pessoa que amo. Respondi-lhe virando-lhe as costas.
Irado o meu pai, disse-me em jeito ameaça: - Ou deixas de andar com esse gajo ou sais desta casa.
Dirigi-me ao meu quarto, preparei o que gostaria de levar comigo e no final da manhã seguinte, depois deles terem ido trabalhar, saí de casa e nunca mais lá voltei.
Hoje, oito anos depois, continuo a viver como o Miguel, a única pessoa que continuo a amar.
Ah! E que substituiu os meus pais, custeando o curso universitário que concluí.
P.S.C.
(Enviado por um leitor)

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