SAIR DO ARMÁRIO


BLOG DESTINADO A HOMOSSEXUAIS E BISSEXUAIS QUE QUEIRAM PARTILHAR EXPERIÊNCIAS DE VIDA.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Homossexuais são alvo de agressões

Após discriminação, 5% das vítimas já tentaram o suicídio.
Colegas de escola são os principais agressores.
Humilhações, insultos e agressões físicas e verbais são algumas das formas de discriminação de que são alvo o homo e bissexuais portugueses que acabam por se isolar, automutilar e até mesmo tentar suicídio.
Segundo um relatório bianual realizado pelo Observatório de Educação da Rede Ex Aequo, sobre discriminação em função da orientação sexual no espaço escolar em Portugal, 87% do total de 92 participantes dizem ter sido agredidos mais de duas vezes, sendo que 46,7% o foram mais de cinco vezes.
O estudo, que apresenta os resultados de 92 formulários a reportar casos de ho
mofobia e transfobia entre Outubro 2006 e o mesmo mês de 2008,acrescenta que a maioria das agressões foram praticadas por estudantes (39,5%) e por desconhecidos (28,6%). No entanto, há a salientar que 5,1% das agressões foram da autoria de professores e 7,6% de familiares.
No que respeita ao local em que estes comportamentos tiveram lugar, a escola lidera a lista com 62 ocorrências, seguida da rua com 54. Todavia, mais de 40 casos ocorreram em casa, no trabalho e em locais públicos.
Apesar de ser a ponta do icebergue, porque na maioria dos casos permanece o silêncio e as vitimas não participam os crimes, a verdade é que estas situações deixaram marcas. No relatório foram diagnosticados 6 casos de abandono escolar precoce para evitar a discriminação e mais de 27,2% das +pessoas alvo de agressões garantiram ter ficado com baixa auto-estima e 22,8% isolaram-se. Há também a salientar que 5% se automutilaram e igual percentagem, tentou o suicídio.

Relatório bianual realizado pelo Observatório de Educação da Rede Ex Aequo:

http://www.rea.pt/arquivo/observatorio/OE2008.pdf

SouthCrow

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Pensa duas vezes-Postais



SouthCrow

Pensa duas vezes

Pensa duas vezes


Associação ILGA Portugal promove a saúde sexual através do combate a pensamentos e crenças que podem colocar HSHs em risco de transmitir ou contrair o VIH/sida
A Associação ILGA Portugal* lança campanha que se debruça sobre quatro pensamentos e crenças específicos que muitos homens têm, antes e durante as relações sexuais com outros homens, e que os podem colocar em risco de transmitir ou contrair o VIH/sida. A saber: 1. os homens seropositivos dizem sempre aos seus parceiros sexuais que são seropositivos;2. numa relação, os homens são sempre honestos com o parceiro quando têm sexo desprotegido com terceiros;3. não é necessário usar preservativo numa relação afectiva estável;4. os homens seropositivos têm características físicas ou comportamentos que os distinguem dos seronegativos.
A campanha, disponível já se materializou numa colecção de quatro postais - cada um representando um pensamento ou crença - e será complementada posteriormente por cartazes para MUPI.
Estes postais serão distribuídos em locais de entretenimento frequentados por HSHs (homens que têm relações sexuais com outros homens) uma vez que naqueles se propiciam contactos conducentes a relações sexuais. Ao disponibilizar este material informativo em tais locais, visamos não só combater os referidos pensamentos e crenças, como fomentar a prática consistente de sexo protegido e, ao fazê-lo, contribuimos para diminuir os casos de transmissão ou contracção do VIH/sida ou de outras infecções sexualmente transmissíveis.
Trata-se da primeira de duas colecções de postais dirigidos a HSHs no âmbito de projecto com o apoio financeiro da Coordenação para Infecção VIH/sida (CNIVS) - Alto Comissariado da Saúde (http://www.sida.pt/).
SouthCrow

domingo, 4 de janeiro de 2009

Violência Doméstica


Violência Doméstica: Campanha em versão gay

" Em 2006, o juiz Pedro Albergaria redigiu um parecer, em nome da Associação Sindical dos Juízes Portugueses, onde considerava que o crime de violência doméstica não existe quando se trata de casais homossexuais. Porque nestes casos, considerou o juiz, o agressor não tem ascendente sobre a vítima. Dois anos depois deste parecer, bastante criticado na altura, a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) lança uma campanha que pretende alertar para a violência doméstica entre casais do mesmo sexo. O slogan é claro: “Grite pelos seus direitos – Violência doméstica entre pessoas do mesmo sexo é crime.”
A campanha arranca em Janeiro, abrange todo o país e vai ser apresentada em quatro suportes: cartazes de rua, desdobráveis, anúncios de imprensa e um site criado para o efeito. É uma iniciativa da APAV, em colaboração com a associação gay ILGA Portugal. “Queremos desmontar a ideia de que a violência doméstica só atinge casais heteros ou considerados problemáticos”, explica Rosa Saavedra, assessora da direcção da APAV.
“Os casais gays e os que aparentam ser felizes podem viver situações graves de violência”, acrescenta. Daí que as duas imagens da campanha – uma com um par lésbico, outra com um par gay masculino – embrulhem os sinais de violência física num ambiente quase paradisíaco (ver imagem).
É considerada violência doméstica “qualquer conduta ou omissão que inflija reiteradamente sofrimentos físicos, sexuais, psicológicos ou económicos, de modo directo ou indirecto a qualquer pessoa”. A definição, elaborada por uma comissão de peritos que acompanha a execução das políticas contra a Violência Doméstica, também explica um facto essencial: pode haver violência doméstica mesmo em casos em que a vítima não viva com o agressor.
Maus tratos (físicos, emocionais, verbais ou psicológicos), isolamento social, intimidação, ameaças, violência sexual e controlo económico são os vários géneros de violência doméstica previstos no Código Penal. É um crime público punido com penas de prisão que podem chegar aos cinco anos.
Segundo dados da PSP, entidade que recebe a maior parte das queixas relativas a este assunto, as mulheres são as principais vítimas, ou, pelo menos, as que mais se queixam. Em 2007 houve 13050 casos, sendo as mulheres 81 por cento das vítimas. Bruno Horta ." (in http://timeout.sapo.pt/news.asp?id_news=2754)

SouthCrow

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Férias em Sitges

A cerca de 35 km de Barcelona, Sitges é uma povoação que todos os anos, nos meses de Verão, recebe milhares turistas, sobretudo europeus. A particularidade é que grande parte desses turistas são gays. Ali vão encontrar um ambiente agradável, praias de águas quentes e uma população e comércio locais acolhedores.
À noite, as ruas fervilham de casais de namorados gays e de belos corpos masculinos moldados durante todo o ano em ginásios. As esplanadas da “Calle del Pecado”, servem de exposição ao bronzeado que cada um faz questão em exibir.
Os inúmeros bares e as discotecas com as cores do arco íris, promovem noites loucas, em particular a “Atlântida”, com uma pequena praia privativa, que todas as noites com novos eventos procura atrair gays e não só, àquele espaço.
Quem quiser fazer uma boa caminhada para oeste, pode chegar a uma pequena praia de calhaus rolados, paraíso gay, onde se pratica nudismo, a qual é apoiada por um pequeno bar e por uma frondosa mata, que serve de escape quando a canícula aumenta e o desejo sexual desperta.
Para o português comum, as coisas tornam-se um pouco mais complicadas em matéria de despesas, já que não podem competir com os demais, devido ao seu baixo poder de compra. Mas ainda assim, é tentador! Utilizando um dos voos Low Coast para Barcelona, que pode não exceder os 50€ ida e volta, o comboio até a Sitges e por fim, um dos dois excelentes Campings locais, os gays portugueses têm ao seu alcance uns excelentes dias de férias em “família”.
Como alternativa para a viagem pode sempre procurar uma boleia e quem sabe, uma boa companhia num dos links que temos para esse fim neste blog.
Tudo isto na nossa despreconceituosa, vizinha Espanha!

(Luso)

terça-feira, 8 de julho de 2008

Tão perto mas tão LONGE!

Mais uma vez, o desfile do Orgulho Gay em Madrid no passado dia 5 de Julho, foi uma enorme manifestação pela consolidação do direito à igualdade e que não se resumiu somente à participação de gays, lésbicas e transsexuais. Além dos muitos milhares de participantes, pelo itinerário do desfile aglomeraram-se muitos mais milhares de pessoas que, pela sua heterogeneidade, reflectiu bem o contraste entre a sociedade espanhola da portuguesa.
Um desfile que durou mais de três horas, levou ao centro de Madrid a alegria própria do evento, apoiado pelo Município e autoridades locais e que se pautou, em toda a sua extensão, pelo civismo e por uma alegria transbordante que inundou noite fora a cidade e em particular o bairro da Chueca, que fervilhava de gente e onde se viveram animações de rua nos diferentes palcos montados para o evento.
O PSOE e a UGT entre outros, também estiveram presentes com um número muito significativo de aderentes. Que diferença para com o PS, partido do Governo em Portugal e para com a nossa Central Sindical, tendo em conta a sua congénere espanhola!
A um português que, como eu, teve o prazer de viver aquelas horas e o ambiente embriagante dos festejos do Orgulho Gay em Madrid, o poder constatar a normalidade com que o cidadão comum aceitava e em muitos casos, participava nos festejos Gay, leva-me a perguntar: - Como é possível sermos um País vizinho e estarmos afinal tão longe da mentalidade e prática do povo Espanhol?


Luso

sábado, 24 de maio de 2008

Confissão dum adolescente

O Miguel, era o aluno que sempre me parecia o mais atento. Os seus olhos expressivos, denunciavam algo que a principio não conseguia entender. No final de cada aula era sempre ele o último a sair, acompanhando-me até à sala de professores. Pelo caminho falava-me de pormenores que se prendiam com as matérias que iam sendo abordadas. Isto repetiu-se durante todo o ano lectivo. Eu notava que não era por acaso que isso vinha a acontecer. Só mais tarde consegui entender exactamente o que escondia aquele excesso de interesse em se aproximar de mim, mesmo quando nos cruzávamos nos corredores da escola.
Não era um aluno excepcionalmente dotado para as artes visuais, mas a atenção que demonstrava e o empenho que sempre revelava nos trabalhos que lhe propus, proporcionaram-lhe boas classificações no final de cada período escolar.
Depois da última aula do ano, o Miguel disse-me que sentia pena que o ano lectivo tivesse terminado e que gostaria muito de falar comigo. Respondi-lhe que dissesse então o que queria. Depois de hesitar, disse-me que gostaria de o fazer mas fora da escola.
Acabei por aceder à proposta. Fomos para um café. Como o Miguel ia divagando entendi perguntar-lhe o que me queria dizer.
De uma forma tímida, disse-me que tinha perdido o pai havia alguns anos, que a mãe voltara a casar-se, mas que se relacionava de uma forma difícil com o padrasto. Evitava falar em casa sobre o que quer que fosse. Como gostava bastante de mim, queria “confessar-me e pedir-me ajuda numa coisa, desde que eu prometesse que não falaria disso a ninguém”. Comprometi-me a assumir a promessa. O Miguel de uma forma rápida disse: - Professor, sou gay.
Ficámos por instantes em silêncio. Perante a sua revelação, disse-lhe que não havia nenhum mal nisso, mas que não entendia porque me tinha feito essa confissão.
Respondeu-me então que nunca tendo falado disso a ninguém e que sentia necessidade de ter uma pessoa mais “madura” que o pudesse ajudar a ultrapassar a sua homossexualidade, já que não confiava no padrasto e tinha muito medo contar à mãe por não saber como esta reagiria. Sabia que só num médico poderia encontrar a solução e era nisso que esperava da minha ajuda.
Fi-lo entender que a homossexualidade não é uma questão patológica. Logo, não existiria nenhum médico que o “curasse”. Não devia sentir-se diminuído, mas compreender a sua diferença. Nem mesmo um psicólogo evitaria que continuasse ou não a ser homossexual, quanto muito, poderia ajudá-lo, levando-o a aceitar e a conviver com essa diferença. Mas a melhor ajuda, seria ganhar coragem e contar à sua mãe, quem sabe se não encontraria nela uma aliada? As mães são sempre bem mais receptivas face a estas questões
Por mim, a partir daquele momento, estaria disponível para o escutar sempre que necessitasse e dar-lhe a minha ajuda. O que veio a acontecer muitas vezes.
Hoje, o Miguel faz parte em Portugal, de um grupo muito activo na defesa da causa homossexual!


Anónimo
(Enviado por um leitor)

domingo, 4 de maio de 2008

PORTUGAL HOMOFÓBICO

Não obstante a homossexualidade ter vindo a ser abordada em novelas, programas televisivos, notícias nos meios de informação, a maior parte da população portuguesa entende as relações entre adultos do mesmo sexo como erradas, segundo um estudo realizado pelo Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, de acordo com o título de primeira página do Jornal Público, na sua edição de 03 de Maio de 2008.
Depois de um inquérito realizado, através de 3643 entrevistas, feitas a nível de Portugal continental, verifica-se que 70% de inquiridos entre os 16 e os 65 anos, considera erradas as relações homossexuais.
Esperar-se-ia que a população mais jovem fosse mais receptiva a esta orientação sexual. No entanto, segundo o mesmo estudo, os mais jovens reprovam-na num número bastante significativo, nunca inferir a 53%.
Os homens são os mais críticos, manifestando pela sua “masculinidade homofóbica”, uma reprovação em 58,9%, relativamente à homossexualidade dentro do seu sexo em contraste com os 53% , quando são questionadas as mulheres.
Continuamos perante um grave problema da não aceitação do direito à diferença por um número bastante significativo da população portuguesa, no que concerne à orientação sexual.
Não sei como foram abordados os inquiridos e como foram dadas as suas respostas, se pessoalmente ou via telefone. No entanto, dever-se-ia possibilitar que estes respondessem ao inquérito de forma sigilosa, o que conferiria uma maior veracidade nos resultados finais, atendendo a que continuamos a estar perante um tema tabu na sociedade portuguesa.


A falta duma disciplina de educação sexual nas nossas escolas e a possibilidade de aí ser abordado esta temática, bem como nos meios de comunicação, com uma maior frequência, principalmente nas nossas televisões, que por excelência chegam mais facilmente ao grande público e enquanto as religiões não passarem a ter um papel mais tolerante perante aqueles que professam uma sexualidade diferente, não os entendendo como pecadores ou “filhos de um deus menor”, não se desmistificará a homossexualidade e continuar-se-á a criar sempre a ostracisação de muitos portugueses, empurrando-os para guetos, negando-lhes o direito à diferença e impossibilitando-os de também poderem ser felizes. À sua maneira!

(Luso)

terça-feira, 29 de abril de 2008

Sem olhar para trás

Tinha dezassete anos. O colégio onde andava era frequentado por rapazes e raparigas de uma classe social com abastado poder de compra. Não tinha muitos amigos. Cada um, contava as suas aventuras com colegas nossas. Estou certo que a maior parte das histórias eram mais fruto da imaginação do que da realidade. Isto por todos se queriam fazer passar por franco-atiradores de pontaria certeira, cujo alvo eram sempre as miúdas que mais exibiam os seus dotes corporais e de sedução.
Eu preferia conviver com dois colegas meus, mais reservados e que penso, nunca o confirmei, terem as mesmas preferências sexuais que eu e ainda, com a Mariana, uma colega que se distinguia das restantes por não se preocupar muito com o visual. Também é verdade que a natureza não a dotou de grande beleza.
Era com ela que partilhava algumas das minhas preocupações familiares e que se resumiam em ter um pai que ditava de uma forma autoritária as regras da casa, uma mãe que perante ele não tinha opinião própria e um irmão de vinte e dois anos que continuando a viver lá em casa, namorava e passava a maior parte do tempo com namorada e que era o orgulho do meu pai, pelo número de parceiras que com frequência ia apresentando à família.
Numa das minhas saídas de sábado à noite com a Mariana, fomos, como habitualmente, para o Bairro Alto. Acabávamos inevitavelmente no Frágil. Depois de uns copos e enquanto dançava, comecei a reparar num rapaz de corpo musculado na pista. Também lhe despertei interesse o que levava a não retirar o olhar de mim. Piscou-me o olho e fez um gesto com a cabeça, convidando-me a segui-lo. Entrou nos lavabos. Segui-o e quando entrei, olhou para mim, agarrou-me nos ombros, puxou-me para ele e beijou-me ardentemente. O meu primeiro beijo num homem.
Quando ambos saímos, fomos ao encontro da Mariana e apresentei-o como namorado. Ela olhou-me e sorrindo disse: - Eu já calculava. Sempre pensei que eras gay! E abraçou-me e disse-me que continuava a ser minha amiga e que continuava a querer-me muito.
A partir dessa noite já nada foi igual para mim. As idas a minha casa, os telefonemas constantes do Miguel, as frequentes vezes em que me ia buscar ao colégio, começaram a despertar a curiosidade dos meus pais. Quando me comecei a dar conta disso, ao atender o telemóvel, afastava-me, mas sentia que eles apuravam ainda mais os sentidos.
No dia seguinte ao meu aniversário, sem querer, deixei no meu quarto no bolso dos jeans um pequeno pedaço da toalha de papel da mesa do restaurante onde havíamos jantado a dois e onde ele me escreveu palavras que nunca tinha tido de ninguém. Nada de mal se não estivesse assinado.
A minha mãe descobriu aquela minha primeira declaração de amor. Só que enquanto a lia o meu pai entrou no quarto e perguntou o que estava a ler. Ela ainda tentou disfarçar mas perante a presença dele e o seu habitual não conseguiu deixar de lhe passar a missiva para a mão. Acabara de ser descoberto o meu segredo!
Ao chegar a casa tinha os meus pais sentados na sala. Entrei e ele disparou irado: - Olha lá rapaz, afinal quem é esse Miguel? O que é que ele te fez? Que volta te deu à cabeça?
Fiquei petrificado!
Uns segundos depois, respondi de forma rápida: - É o meu namorado!
-Tu és paneleiro? Levantando-me a mão em jeito de ameaça. Acabara de deixar cair o habitual polimento que dizia ter adquirido pela educação que lhe foi dada pelos pais.
-Não sou nenhum criminoso. E ficas a saber que não mudarei nem um centímetro da pessoa que amo. Respondi-lhe virando-lhe as costas.
Irado o meu pai, disse-me em jeito ameaça: - Ou deixas de andar com esse gajo ou sais desta casa.
Dirigi-me ao meu quarto, preparei o que gostaria de levar comigo e no final da manhã seguinte, depois deles terem ido trabalhar, saí de casa e nunca mais lá voltei.
Hoje, oito anos depois, continuo a viver como o Miguel, a única pessoa que continuo a amar.
Ah! E que substituiu os meus pais, custeando o curso universitário que concluí.

P.S.C.
(Enviado por um leitor)

Algo mais que um tio!

Após ter tido a minha primeira experiência com um homem, decidi terminar tudo com a minha namorada de sete anos. Os familiares dela tentaram tudo para poder minimizar o seu sofrimento, pedindo a amigos comuns e a alguns familiares, para tentarem indagar as razões porque havia terminado tudo. Se não poderia haver retorno na minha decisão, pois já estávamos com a vida praticamente montada, eu já tinha feito o serviço militar, estando ela a concluir a faculdade.
Uma das pessoas que mais se empenhou nessa “tarefa”, foi o tio Frederico, irmão do pai dela, que vinha amiudadas vezes, falar comigo na “expectativa de tentar compreender o que se andava a passar na minha cabeça”.
O Frederico, com cerca de 42 anos, era o tio mais novo da minha ex-namorada. Um homem muito bem posicionado na vida, com o qual os jovens gostavam de falar e confidenciar. Era senhor de um charme que não passava despercebido. .

Quando o Frederico começou a ser mais persistente tentando falar comigo, eu evitava-o, para não ter que encarar uma pessoa de quem eu gostava e por quem tinha muito respeito. Com a sua teimosia procurava ser bem sucedido, até que comecei a ceder e começamos a falar algumas vezes, até porque morávamos na mesma zona.
A frequência dos nossos encontros foi cada vez mais assídua, começando a olhá-lo de maneira diferente. Algo estava a despertar em mim!
Eu não queria criar ilusões nem me colocar numa situação pior do que já estava em relação aquela família.
Comecei novamente a fugir-lhe, mas desta vez, pelo sentimento que sentia crescer em relação a ele. Após algumas tentativas falhadas da sua parte, acabei por ceder, uma vez que já tinha colocado na minha cabeça que tudo aquilo que eu pretendia era uma loucura, que não era justo, pois ele tinha mulher e filhos e, pelo que toda agente sabia, ele era “muito machão”, sempre com mulheres atrás dele.
Falámos várias vezes, até que um dia, dei-me conta que todo aquele empenho não era só na tentativa de ajudar a sobrinha. Comecei a notar os olhares dele, os gestos, a atenção com que escolhia as palavras que utilizava. O desejo por ele passou a deixar-me louco, mas. mais uma vez, a minha consciência dizia-me que não devia lhe contar a verdade, pois assim toda agente saberia ou poderia ficar a saber. Persistente, deu o passo enfrente e perguntou-me se eu tinha “chutado a minha vida para o alto por outra pessoa” ou se “simplesmente já não era nada daquilo para a minha vida que eu queria?” E de uma forma muito subtil, fez-me a pergunta fatal: - Tu és gay? Gostas de homens?
Ali, naquele momento eu congelei. O meu sangue deixou de correr! Fiquei sem saber o que dizer. Ele acabara de desarmar-me com uma frontalidade que nem me apercebi!
Emudeci! É claro, quem cala consente. E de imediato: - “Se é isso, então eu compreendo bem os teus actos em relação a sobrinha (e acrescentou), não és o único, só que nem todos fazem essa opção.
Perante essa deixa perguntei-lhe: - Estás a referir-te exactamente a quem? Ele, mais à vontade, abriu o jogo comigo e contou-me tudo o que se tinha passado com ele e o que se andava a passar.
O que me acabara de revelar, o que se tinha passado com ele, é mais uma prova de que a nossa sociedade condena e não permite que cada um seja honesto quanto à sua sexualidade. O que se andava a passar agradou-me bem mais, porque acabou por dizer-me que também ele andava já algum tempo interessado em mim, mas que eu nunca lhe tinha dado pretexto para ele “ir em frente”.
O que veio a seguir é fácil de entender. Durante algum tempo partilhámos o prazer de fundirmos os nossos corpos, até que acabámos por decidir terminar esses encontros. Ele, por ser casado e querer continuar a manter a aparência. Eu, por não estar disponível para manter esse tipo de vida dupla.
E voltámos a seguir caminhos separados.

(South Crow)

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Fim de tarde num Jardim de Lisboa

Correndo de um lado para outro, saltando, rindo, gritando, aqueles dois garotos não paravam quietos por instantes. O pai, homem de trinta e poucos, percorria com o olhar todos os movimentos que faziam.
O fim de tarde, estava excelente no jardim e ajudava ao descanso merecido depois de um dia de trabalho.
De quando em quando, as crianças passavam diante de mim, corriam em redor do banco em que eu me encontrava, num divertido jogo de toca-e-foge. Isso, fazia-me levantar os olhos do livro que estava a ler, acabando por cruzar o meu
olhar com aquele homem de aspecto másculo, que estava sentado no banco em frente. A princípio, tudo parecia natural. Mas, à medida que se repetiam os olhares, comecei a dar-me conta que afinal aquele pai, insistia em me retribuir o mesmo gesto.
O interesse pela leitura ficou para segundo plano. Passou-me a despertar curiosidade aquele peito peludo que a camisa entreaberta, emoldurada pela gravata desleixada, deixava ver.
Nestas coisas, nada acontece por acaso. Há sempre algo, um sentido extra, que nos leva a entender que a reciprocidade tem sempre uma justificação.
No esboçar dos sorrisos que ambos trocávamos, estava afinal o convite para que eu acabasse por me decidir a mudar de banco e ir sentar-me a seu lado. Ao fazê-lo, e depois de um olá inicial, aproximou-se a filha e fez a pergunta mais embaraçosa que naquele momento podia ter feito: - Pai, quem é este senhor?
Depois de me ter olhado nos olhos respondeu, titubeante: - É um antigo colega do ginásio.
Satisfeita com a resposta, própria da ingenuidade da idade, voltou para a brincadeira e deixou-nos sós!
Apresentámo-nos com um cumprimento.
As nossas pernas tocaram-se fugidia mas intencionalmente. Agarrei-lhe, discretamente, na mão que estava apoiada sobre o banco. Depois, confidenciou-me que vinha para ali muitas vezes, ao fim da tarde, porque a sua mulher era médica e estava grande parte do dia ocupada entre o hospital onde exercia actividade e os trabalhos de doutoramento que estava a concluir, cabendo-lhe a ele, acompanhar mais assiduamente os “miúdos”. Mas que se sentia farto!
Se pudesse voltar atrás, teria dado um rumo diferente à sua vida, já que não se sentia realizado nem profissional nem pessoalmente, e que sob o ponto de vista sexual, tinha as suas incursões no mundo homossexual, frequentando uma sauna, sempre que podia dar uma escapadela.
Não quis ter nenhuma atitude inquisitorial e deixei-o livre para partilhar, em jeito de desabafo, o que entendesse.
Um toque de telemóvel, interrompeu a confissão!
Chamou os garotos e disse-lhes que tinham de ir embora. Ainda lhe perguntei se não queria ficar com o meu contacto telefónico ao que acedeu.
Fiquei nos dias, nas semanas seguintes, à espera que o meu telefone tocasse e do outro lado estivesse a voz do Henrique (nome fictício), o que nunca aconteceu.
Regressei várias vezes àquele jardim ao fim da tarde, na expectativa de o ver e poder estar de novo com ele e, quem sabe, realizarmos a dois, os seus desejos mais íntimos.
Nunca mais o voltei a encontrar!

(Luso)

terça-feira, 22 de abril de 2008

Fiz-lhes a vontade!

Da geração dos fins dos anos quarenta, fui crescendo e descobrindo, pela minha curiosidade, os corpos dos meus amigos de brincadeira e de escola. As aulas de ginástica e os balneários, eram por excelência, os melhores locais para os observar com olhares furtivos.
Não me eram indiferentes aqueles, mais maduros, onde já começavam a surgir as primeiras manifestações corporais da puberdade, adivinhando-se um futuro promissor quanto ao dote, possibilitando que eu desse largas à minha imaginação.
Envolvíamo-nos muitas vezes em jogos de adolescentes, em que o contacto físico era a razão para a sua prática e que ocultavam os impulsos sexuais próprios da nossa idade.
Nunca me afastei dessa curiosidade, que acabava por constituir um prazer visual e se reflectia nos momentos de masturbação em que diariamente me empenhava.
Sempre se elege na escola um amigo, aquele que se torna o nosso confidente e cúmplice. O Miguel (nome fictício), companheiro de turma, foi aquele com o qual comecei a sentir prazer em estar, sempre que podiamos. Os pequenos toques e empurrões, iam denunciando o que cada um de nós procurava no outro. Foi a dois que descobrimos o prazer de nos masturbarmos e, depois, eu já com mais à vontade, o sexo oral.
As namoradinhas foram sempre um insucesso. Talvez porque sempre me interessou mais estar na companhia de rapazes. Esses sim, constituiam a minha fonte de procura.
Depois, no percorrer dos anos, fui pondo em prática com outros, essa tendência homossexual, que desde sempre me acompanhou.
Nunca me confrontei com qualquer problema de não aceitação por ser diferente. Entendi-me sempre como “normal”. Eu, mas a sociedade e os meus pais não!
Foi escondendo o melhor que era capaz, a orientação sexual que sem eu determinar me acompanhou desde sempre.
Até que aos quarenta anos, pressionado pela família, por colegas e amigos, que sempre me bombardeavam com a estafada frase de “- Quando te casas?” ou “- Com essa idade estás à espera de quê?”, acabei por ceder e casar!
Um casamento programado e de conveniência para ambos, mas com pompa e circunstância.
Eu acabava de satisfazer a sociedade e partilhar a sua hipocrisia. Mas fiz-lhes a vontade. Naturalmente que os filhos nunca surgiram desse casamento.
Claro que nada é eterno e uma situação desconfortável com aquela, não poderia durar muito tempo. Mas ainda assim durou dez anos, continuando a manter sempre com homens a minha prática sexual. Aquela que realmente estava na minha génese. Até que finalmente me divorciei.
Hoje para a sociedade sou um DIVORCIADO! Mas o importante para ela, foi casar. Mesmo que tudo não tenha passado de uma farsa!
(Luso)

Uma volta na minha sexualidade

A minha ida para a tropa despoletou-me algo que até então estava pouco consciencializado em mim, não obstante sempre me ter despertado interesse observar os corpos masculinos e as suas formas musculares.
Namorava quando inicie
i o meu serviço militar e durante dois anos, a vida no quartel, fazia-me lidar com militares do quadro, gente já, casada, mais velha do que eu e do que os restantes camaradas de especialidade. A formatura diária na parada, colocava diante de mim um oficial, que pela estatura, o seu cabelo grisalho e a sua postura corporal hirta, exercia sobre mim uma atracção, que não me deixava tirar os olhos dele.
Homem habituado a lidar com homens, a insistência do meu olhar não lhe passou despercebida e pouco a pouco fui-me apercebendo que, sempre que nos cruzávamos, também os seus olhos iam ao encontro dos meus, esboçando sorrisos que me deixavam perturbado, porque pareciam adivinhar o que em silêncio sentia por ele.
Entretanto, a relação com a minha namorada ia-se degradando.
À medida que o tempo passava, esse oficial foi cada vez mais se aproximando da minha pessoa, com pequenas conversas, interrogando-me onde residia, se namorava, se saia com amigos, enfim, familiarizando-se pouco a pouco com a minha pessoa.
Um fim-de-semana, depois de ter saído do Quartel, não sei se ocasionalmente, ele aproximou-se de carro, dizendo-me se eu queria boleia, já que ia para a mesma zona. Aceitei o convite prontamente, não obstante me sentir de alguma forma inibido.
Durante o trajecto o tema de conversa foi sobre questões que só mais tarde entenderia. Que eu era um “tipo porreiro”, que eu pertencia a um pelotão excepcional e que gostava muito de mim porque lhe fazia lembrar um grande amigo que tinha morrido em combate.
Voltou a dar-me boleia para regressar à Unidade mas o tema de conversa andou de novo em torno do que antes já tinha abordado.
Depois deste episódio, nas semanas seguintes, quando me cruzava com ele no quartel, sentia-me constrangido, não obstante a atracção que continuava a sentir por ele.
Algum tempo depois, num fim-de-semana, disse-me que precisava que o ajudasse numas coisas que tinha que fazer em casa dele e que contava comigo. Ao chegarmos, e em casa, colocou-me as mãos sobre os meus ombros e deu-me um beijo. Fiquei estático! Não sabia o que dizer. Disse-me que se sentia atraído por mim e que já não era capaz de o esconder.
Um misto de confusão na minha cabeça! De pânico!
Por um lado, era algo inesperado que eu não queria acreditar que estivesse a acontecer, por outro, era afinal exactamente aquilo que eu gostava que acontecesse, quando antes o observava na parada.
Se antes eu já me sentia constrangido pelo episódio que tinha vivido uma semana antes, mais constrangido fiquei depois de estar nos seus braços e ouvi-lo dizer que gostava de mim.
Apercebendo-se do embaraço em que me colocara, tentou evitar-me durante algum tempo. Até que me abordou no café onde habitualmente nos encontrávamos para me dar boleia e me pediu desculpa pelo sucedido anteriormente. Que eu não entendesse o que se tinha passado de outra forma senão o de ter em mim a imagem do tal amigo de quem teria gostado muito.
Como entendia que tudo já estava esclarecido, voltou a convidar-me num fim-de-semana, para um almoço em família em sua casa.
No fim do almoço, como a sua mulher se teve de ausentar por razões profissionais urgentes, voltamos a ficar sós!
Perguntou-me então se o que se tinha passado entre nós teria mexido comigo, já que sentia uma certa indiferença da minha parte. Fiquem em silêncio e com algum embaraço.
Olhou-me nos olhos, agarrou-me e voltou a beijar-me! Beijou-me. Beijámo-nos ardentemente, enquanto um sofá nos serviu de companhia.
A primeira vez que fiz amor com outro homem, acabara de acontecer.
E aconteceu com ele, durante mais alguns anos!

South Crow

terça-feira, 15 de abril de 2008

Testemunhos. Assumir a homossexualidade.

Porquê a existência do Blog?

Ao criar-se este blogue foi pensando em muitos adolescentes e adultos que descobrindo a sua sexualidade se confrontaram com uma realidade diferente: serem atraídos por pessoas do mesmo sexo.
Raros não são os casos em que essa constatação resulta numa rejeição de si próprios e na auto-condenação, com todo o cortejo de angústias daí resultantes, exactamente por não partilharem a mesma orientação sexual que o mundo dito, civilizado, entendeu como "normal".
É pois para ajudar a se aceitarem como são, que procuraremos neste espaço dar ajuda, partindo da experiência profissional e pessoal sem constrangimentos ou condenações e fazer do blogue uma tribuna, onde outros possam dar o seu testemunho e com ele ajudarem quem não sabe como fazer.
O espaço está aberto. É nosso!